edifício




história recente

A utilização do edifício do convento pelo exército começou muito antes da extinção das Ordens Religiosas, decretada em 1834, e do próprio abandono por parte da comunidade religiosa, ocorrido no ano anterior, pois, desde os finais do século XVIII, se aquartelaram tropas em parte do convento e, a partir de 1810, ali se instalou mesmo um hospital militar.

O mais antigo levantamento do edificado data de 1866, antes das grandes alterações promovidas pelo exército para adaptar o imóvel a hospital e a quartel. As obras modificaram profundamente a igreja, ainda hoje identificável na planimetria e volumetria do conjunto, e acrescentaram construções em vários pontos
do edifício, nomeadamente no segmento sul da ala poente, como atrás se disse. Contudo, grande parte
da estrutura planimétrica e da volumetria originais do convento  conservou-se quase intacta.
Na área da portaria conventual, servida por um portal de desenho setecentista, típico da reconstrução pombalina, nota-se uma reorganização espacial dessa época, envolvendo revestimentos decorativos em azulejo, entretanto alterados durante a fase de ocupação pelos militares.

Subsistem, no mesmo local, lápides referentes a acontecimentos marcantes da história das unidades militares sedeadas no convento ou na cidade. Estes e outros elementos que se referem à história do edifício ou da cidade serão conservados e apresentados neste mesmo espaço.

No início da década de 70 do século XX, o imóvel, entretanto parcialmente devoluto e ameaçado
de demolição, sustida por intervenção do então ministro Arantes e Oliveira, foi classificado como Imóvel
de Interesse Público, por decreto de Dezembro de 1974. Quatro anos antes, fora minimamente arranjado para albergar a Exposição Mestres de Abrantes e Sardoal, importante mostra de Pintura Portuguesa dos finais do século XV e da primeira metade do XVI, promovida pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Só nas décadas de 80 e 90 do século passado, novas e profundas obras foram realizadas no edifício.
Com projeto do Arquiteto Duarte Castel-Branco, o conjunto do que outrora fora a igreja, parte do claustro e algumas dependências contíguas foram adaptados para neles ser instalada a Biblioteca Municipal António Botto, inaugurada em 1993.
Os restantes espaços do convento foram entretanto ocupados pela Escola Superior de Tecnologia de Abrantes.

O vasto espaço que, na origem, estaria destinado a um pátio ou segundo claustro nunca concluído, encontra-se atualmente utilizado, na sua maior parte, como parque de estacionamento, com uma das entradas pelo portal que liga os dois corpos da fachada principal. Trata-se de um espaço amplo, com excecional vista sobre o vale do Tejo, que permitirá o natural prolongamento do edificado, tal como se prevê no projeto do Ateliê do Arquiteto Carrilho da Graça.

Planta de Sondagens

Já foram realizadas no local algumas sondagens arqueológicas nesse espaço que confirmaram o que a evidência construída e documental já fazia intuir: estamos numa área que outrora fez parte da cerca do convento, tendo sido descobertos alguns muros e restos de uma canalização que não permitem ainda fazer uma leitura do espaço. No entanto os trabalhos arqueológicos irão continuar. Existe atualmente um plano de sondagens e escavações arqueológicas que já foi aprovado pela Direcção Regional de Cultura e já contem as alterações propostas por esta entidade. Este plano de sondagens vai ser integrado no concurso para a construção do imóvel e, fará parte do plano de obra.