colecções




espacialização das funções

PROJETO INICIAL
Tendo em vista a requalificação e adaptação do Convento de S. Domingos, para nele ser instalado o MIAA, foi elaborado um PROGRAMA PRELIMINAR que foi entregue ao Dono da Obra e à Equipa Projetista. Para a elaboração deste programa contou-se com a colaboração do museólogo Fernando António Baptista Pereira que teve a colaboração científica, para os períodos da Pré-História e da Antiguidade, do Prof. Doutor Luiz Oosterbeek, do Instituto Politécnico de Tomar, que, desde a primeira hora, integrou a equipa multidisciplinar que concebeu o programa do museu.
A Equipa Projetista respondeu ao PROGRAMA PRELIMINAR com um anteprojeto em que já foram definidas, com maior especificação as áreas dos setores expositivos e as áreas técnicas.
Esse anteprojeto foi apresentado ao IGESPAR, que o aprovou, e posteriormente foi mostrado e discutido em público na exposição Antevisão I do MIAA, patente na igreja de Santa Maria do Castelo, em Abrantes.
O MIAA vai utilizar grande parte dos espaços disponíveis do Convento de S. Domingos, mas tendo em conta a vastidão e diversidade das coleções a apresentar, assim como os serviços e secções que terão de constituir o Museu-Centro de Investigação, não será possível restringirmo-nos apenas à área do convento. Será, por isso, necessário
contemplar uma substancial ampliação do edifício, com uma nova intervenção arquitetónica.

Depois de aturadas visitas às coleções disponíveis, tanto do legado Estrada como da Câmara Municipal, incluindo as obras doadas por Maria Lucília Moita e Charters de Almeida (envolvendo demoradas conversas com ambos para avaliar justificadas expetativas) uma primeira opção foi discutida com o Arquiteto Carrilho da Graça: que coleções expor no convento e que coleções expor no novo edifício?
Depois de aturadas análises decidiu-se que no novo edifício, com todas as exigências específicas de conservação e segurança, numa relação próxima ou mesmo direta com as áreas técnicas e reservas, serão apresentados os núcleos mais antigos da Pré- História e Proto-História, período clássico e orientalizante.
Os conjuntos de arte medieval, moderna e contemporânea poderão conviver com inteira harmonia nos principais espaços do convento. Deste modo, podemos definir a repartição das várias secções expositivas e técnicas do museu pelo convento e pelo edifício novo como se segue:

No Convento:
• Na Antiga Portaria conventual – espaço de evocação histórica dos anteriores usos do convento (religioso e militar), com exposição de documentação gráfica e de uma ou mais maquetas. Nas salas anexas do R/C da Ala Poente, beneficiando de acesso independente, instalam-se serviços de apoio ao Centro de Investigação, cujas salas de acesso público (biblioteca e mediateca especializadas, gabinetes de estudo, gabinetes da direção do Centro) deverão situar-se no piso superior da mesma ala, tendo, por outro lado, acesso fácil às áreas técnicas do novo edifício e aos espaços de conservação e restauro e da Administração, no interior do convento.
• Nas salas do R/C da Ala Norte do claustro – área expositiva destinada às secções da Idade Média (séculos V a XV, incluindo a Ourivesaria tardo-romana e bárbara, e a Arte Islâmica).
• Nas salas do Piso Superior das Alas Nascente e Sul e da Ala Norte, que rodeiam o 2º pátio e o claustro – áreas exclusivamente expositivas, dedicadas às coleções da Idade Média Tardia e Idade Moderna (séculos XVI a XVIII, incluindo peças indo-portuguesas) da Coleção Estrada e das coleções Municipais (arqueologia medieval e moderna de Abrantes, escultura em pedra e em madeira, talha dourada, paramentos, pintura), às seções de Pintura do Século XIX e XX e de Artes Decorativas e às salas dedicadas à Pintura e ao Desenho de Maria Lucília Moita e à obra escultórica de Charters de Almeida.
• Todas as salas do R/C da Ala Nascente e da Ala Sul – são espaços técnicos e administrativos destinados à conservação e restauro e à administração, terminando, no canto sul esquerdo, com um pequeno bar, que dará apoio ao Museu , Centro de Investigação e à Biblioteca Municipal António Botto; no R/C da Ala Sul, encontra-se o espaço destinado aos Serviços Educativos, com uma Sala Polivalente, ateliê de expressões e gabinetes de trabalho, que servem igualmente as necessidades da Biblioteca Municipal; Especificações:
- Centro de Restauro de Arqueologia e Arte, com luz natural, e área total de 200 m2 (a subdividir) e pé direito de 5m;
o Serviços Administrativos e de Direcção, quer do Museu, quer da Fundação que o tutela (1 gabinete, uma Sala de Reuniões, uma Secretaria, um Arquivo);
- 2 Gabinetes técnicos para os Conservadores (2) e Investigadores (2);
• Deverão ser previstos, anexos a todas estas galerias, «espaços virtuais» destinados à projeções multimédia de caráter didático ou de carácter artístico.

No Edifício Novo:
• O Átrio de Acolhimento (com balcão de informação e bilheteira) e os Serviços Adjacentes (bengaleiro-vestiário, Instalações Sanitárias, loja-livraria, Auditório de cerca de 150 lugares) são instalados a um nível inferior no espaço de ligação entre as duas construções. Do Átrio tem-se acesso a todos os circuitos expositivos, permanentes e temporários, e aos Serviços Técnicos. A área foi calculada em função de todas estas valências e do previsível grande afluxo de visitantes.
• Cafetaria panorâmica a instalar no último Piso da Torre.
• Grande área expositiva de cerca de 400 m2, com 6m de pé direito, destinada a exposições temporárias, podendo ser seccionada para albergar diferentes mostras ou utilizada em contínuo por uma única exposição, a instalar no interior do baluarte.
• Circuito expositivo Permanente destinado à Arqueologia e Arte da Pré-História e da Antiguidade (é o circuito mais importante do Museu, com as obras-primas da Coleção Estrada e algum espólio municipal ou mesmo de outras proveniências). Área total de 1000m2, subdividida, distribuída por vários pisos, com um pé direito mínimo de 5-6m cada, adiante especificados.
• Bloco dos Serviços Técnicos:
- Reservas (com 500 m2, pé direito de 6m) com acesso fácil à entrada de serviço e servida por monta-cargas (o principal sector está situado no piso inferior da Torre e é uma área visualizável, que poderá vir a servir a expansão da área expositiva permanente do museu);
- Monta-cargas de 3mx3mx3m que ligue todos os pisos de áreas expositivas, quer no Convento, quer no Edifício Novo, com as reservas e entrada de serviço;
- Áreas de embalamento e desembalamento de peças, junto à entrada de serviço e às reservas, com cerca de 100 m2 e 5m pé direito;
- Armazéns de materiais museográficos e de embalagens com cerca de 200m2 e 6m de pé direito;
- Central de Segurança;
- Área de Apoio aos Funcionários, com IS, chuveiros e vestiários e uma pequena cozinha.

A seleção das obras que irão figurar no MIAA está, ainda, em discussão, uma vez que depende do aprofundamento do estudo científico e mesmo material de vários conjuntos da coleção, em curso.
Contudo, já foi possível determinar a distribuição dos mais importantes sectores do acervo pelos diferentes espaços do Museu.

Distribuição das coleções no espaço
• Na Torre, sucedem-se, de cima para baixo: um piso dedicado ao Paleolítico, Neolítico e Calcolítico; outro dedicado às Idades do Bronze e do Ferro, incluindo o Período Orientalizante, encenando diferentes tipos de narrativa, como a evolução da representação da figura humana, a evolução da armaria; o seguinte dedicado às civilizações extraeuropeias da África (Egipto), do Próximo Oriente (Mesopotâmia) e da Ásia (Índia e China); outro dedicado à Ourivesaria do Período Orientalizante e da Antiguidade Clássica; outro dedicado à Arte da Grécia Clássica; e finalmente o último, dedicado à Civilização Romana;
• No R/C do Convento expõem-se a arte Paleocristã, Islâmica e da Alta Idade Média;
• No Piso Superior do Convento suceder-se-ão as seguintes salas: Arte da Idade Média Tardia e do Renascimento; Arte do Barroco, do século XVIII e do século XIX; Arte do Século XX – Pintura e Desenho de Maria Lucília Moita e Escultura de João Charters de Almeida.
• Em todos os núcleos será dado o devido relevo à História Local e Regional, graças aos acervos recolhidos ao longo das últimas décadas, pelo que a vocação do museu não será apenas nacional ou internacional mas, como atrás se disse, indiscutivelmente local/regional.

A realização das várias exposições de Antevisão do MIAA (uma exposição anual desde 2009) têm permitido ensaiar os segmentos do discurso museológico e as várias soluções expositivas que irão ser implementadas no futuro museu, tanto ao nível dos pequenos objetos de arqueologia ou ourivesaria como ao nível das grandes esculturas em pedra ou em madeira. A produção dos respetivos catálogos tem proporcionado igualmente um excelente ensaio de coordenação das diversas colaborações científicas para concretizar publicações rigorosas e de grande qualidade científica e artística, que irão fixar uma imagem de marca do futuro museu e da própria cidade de Abrantes.